Há quase um ano as rotinas foram drasticamente alteradas e, para muitos, as restrições do isolamento social ainda se mantém, com escolas fechadas e trabalho remoto. De todos os cenários, as crianças também enfrentam uma onda de incertezas e, ainda que elas não sejam fisicamente tão afetadas pela covid-19, com certeza o impacto emocional é sem precedentes. Segundo especialistas, é o aumento de comportamentos relacionados ao suicídio pode ser consequência do isolamento social imposto pela pandemia.

Um relatório publicado na revista Pediatrics mostrou que alguns meses de 2020 fecharam com taxas de comportamento relacionados ao suicídio maiores que nos meses que anteciparam a pandemia. Esses dados mostram a importância de observar atentamente as crianças e adolescentes que estão em casa, ver até mesmo nas sutilezas a forma como estão reagindo aos acontecimentos.

No entanto, é preciso observar crianças e adolescentes de modo geral, não apenas os que estão demonstrando sinais de ansiedade e depressão. Perceba pequenas mudanças de comportamento, naturalize o que está acontecendo. O diálogo é fundamental para notar mudanças sutis na fala dos pequenos. Converse sobre o que está acontecendo no mundo, pergunte o que ele acha e como se sente com tudo isso. Mostre que é normal ter dificuldades e que é um momento difícil para o mundo todo, mas que tudo isso vai passar. Lembre-se que precisamos de um distanciamento físico, mas é preciso estarmos próximos uns dos outros emocionalmente.

Com todo esse tempo de isolamento social, a perda será significativa para os pequenos. Já é possível medir os danos pelo tempo que as escolas permaneceram fechadas, algumas ainda nem reabriram após um ano de salas vazias. Além da educação, o bem-estar emocional e o desenvolvimento social de crianças e jovens foi amplamente prejudicado. Saímos, portanto, de um cenário em que a doença afeta pouco a população infantil, para outro em que elas são as partes mais prejudicadas pela pandemia.

É preciso agir em prol desse segmento da população. A Universidade de Oxford anunciou, no dia 13 de fevereiro, que iniciará a segunda fase de estudos sobre a vacina ChAdOx1 nCoV-19, que terá como grupo focal crianças e adolescentes. Essa iniciativa trará benefícios incomensuráveis, pois permitirá a reabertura de escolas com efeito quase imediato, a convivência com outros pares e familiares, o que beneficiará a saúde emocional e o desenvolvimento social de crianças e adolescentes.

Manter amizades na pandemia é essencial

Qualquer passeio fora de casa, seja no parquinho do prédio, pracinha ou na casa dos avós, deixa as crianças eufóricas e aliviadas em poder observar e conviver com seus semelhantes após um ano de pandemia.

Mesmo que esses passeios sejam curtos, a confiança de mostrar quem você é para um outro é a base para situações que se desenvolverão com o decorrer dos anos. É a partir daí que as crianças descobrirão o que é amizade, o afeto desinteressado, puro e a partilha, um dos vínculos mais importante segundo especialistas.

No entanto, há um ano adultos e crianças precisaram repensar a forma de cultivar as amizades em tempos de isolamento social. Muitos recorreram à internet, mas as telas não substituem a interação presencial.

Quer ajudar seu filho a passar por esse momento mais com menos impactos? Crie uma bolha de convivência com pessoas específicas, assim as crianças podem conviver com alguns amigos e/ou primos e ter um controle maior sobre a transmissão de covid-19. Converse com os pais dos coleguinhas da escola, saiba quais são os que seu filho tem mais vínculo e tente incluir dois deles na “bolha” do seu pequeno. Tornar a rotina mais fácil e alegre é uma excelente maneira de amenizar os impactos emocionais que a pandemia trouxe para as crianças.