As escolas possuem o papel de ensinar crianças e adolescentes e prepará-los para a escolha de uma profissão. No entanto, o papel social das escolas vai muito além da formação de cidadãos, escolas têm a importante função social, tanto na saúde mental dos alunos, com o estímulo da socialização com outras pessoas, como na manutenção da integridade dos alunos.

A pandemia de coronavírus fez com que todos se refugiassem em suas casas para se proteger contra um inimigo invisível. No entanto, estar em casa pode não ser seguro para muitos que enfrentam um inimigo maior e que ainda é invisível para muitos. Aqui nos referimos à violência doméstica, mais especificamente contra crianças.

Em artigo divulgado pela Unicef, a coordenadora estadual do Programa Saúde na Escola (PSE), Bárbara Salvaterra lembrou que em grande parte dos casos de abuso e violência o agressor é alguém da família, muitas vezes pais, avós, tios e outras pessoas do convívio diário da criança.

A pandemia faz com que se acumulem tensões, tarefas e a convivência familiar intensa, aliadas ao home office, ou mesmo desemprego, podem gerar ou agravar conflitos e comportamentos violentos.

A ONG Worl Vision realizou um relatório que estimou que 85 milhões de crianças e adolescentes seriam vítimas de violência emocional, física e/ou sexual entre junho e agosto do ano passado. O aumento estimado era de 20 a 32% em relação à média anual de todo o planeta.

De acordo com o mesmo relatório, escolas e centros comunitários são os grandes denunciantes de agressões e abusos, por meio do acionamento do Conselho Tutelar, muitas vezes por denúncias anônimas de professores e funcionários. Com as escolas fechadas, um dos principais denunciantes está afastado.

“Crianças estão sendo violentadas, agredidas e a escola é um órgão essencial de proteção à essas crianças – professores podem denunciar essas violências. Aumentou a exposição dessas crianças a maus tratos, abusos físicos e emocionais. Isso tem que parar, o mundo já retomou as aulas, porque aqui no nosso país tem que ser diferente”, relata Sandiula Sara Santos de Souza, mãe do Matheus e da Carolina.

Impacto emocional nos alunos


O isolamento social imposto para a segurança de todos teve consequências diretas na saúde emocional dos jovens que deixaram de conviver com familiares e amigos, mais que um local de estudos, é um lugar em que crianças e jovens podem confraternizar, fazer amigos, praticar um esporte, desenvolver um hobby e muito mais.

O fechamento temporário das escolas para conter a pandemia de covid-19, impactou negativamente a socialização, tornou alguns mais tímidos e introspectivos, assim como agravou e gerou casos de estresse, depressão, crises de ansiedade e outras complicações do isolamento. “Somos seres sociais, privar a criança de poder se relacionar com outra criança é uma violência psicoemocional”, afirmou Sandiula Sara Santos de Souza, mãe do Matheus e da Carolina.


Um estudo realizado no Reino Unido mostrou que crianças e jovens que vivenciaram o isolamento possuem três vezes mais chances de apresentar crises de ansiedade e depressão na vida adulta. O psicólogo Fabrício Vieira, em entrevista para a Rede Pará, explicou que a quebra da rotina escolar, do convívio lúdico com outras crianças são fatores determinantes para a desestabilização emocional das crianças.