Quando uma faculdade pública entra em greve, é possível sentir os impactos do período sem aulas. Atrasa o ano, emendam conteúdos, tudo fica confuso e incerto. Com a pandemia do novo corona vírus, as escolas brasileiras permanecem fechadas desde março. São quase oito meses em que alunos de todos os níveis de ensino estão em casa. De bebês à jovens adultos esperando o diploma da faculdade, o ano de 2020 está sendo, no mínimo, desafiador. Mesmo que alguns conteúdos estejam sendo passados aos alunos por vídeo aulas, lives ou mesmo atividades por aplicativos de mensagem, todo este tempo parado gera um custo a ser pago financeira e socialmente.

Segundo o secretário geral da Organização das Nações Unidas, mais de 1 bilhão de estudantes foram afetados, Deste total, mais de 40 milhões de alunos pertencem ao período escolar mais crítico, a pré-escola. A Educação Infantil integra a Educação Básica, um direito das crianças, pois é uma etapa fundamental para o desenvolvimento físico, intelectual, psicológico e social.

A ONU afirma que a volta às aulas deve ser posta como prioridade e a Unicef reforça que quase meio bilhão de crianças não tiveram nenhum contato com o ensino à distância, seja pela precariedade do acesso a internet, falta de dispositivos móveis e computadores para acesso. Além disso, muitos alunos, pela situação de pobreza acabaram deixando de estudar para trabalhar e ajudar no sustento do lar. A evasão escolar já era um problema crônico e se tornou ainda mais preocupante com a pandemia.
No Brasil, já existia uma crise na educação muito anterior à pandemia do novo corona vírus. Segundo o secretário, manter as escolas fechadas é uma catástrofe que pode gerar décadas de atraso, aumentar a desigualdade e desperdiçar potencial humano. A população sentirá, a longo prazo, a perda de 1,5% na economia mundial. De acordo com a presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, “o país pagará por abrir bar antes de escola”.

A abertura das escolas beneficiará de imediato alunos e também a economia, pois possibilitará que muitos pais retornem ao trabalho. O financiamento privado também ficará escasso no pós-pandemia, visto que a economia esmorece e o desemprego aumenta. O retorno às aulas presenciais deve acontecer o mais breve possível. Para isso, protocolos de segurança e higienização, além de teste e rastreamento, se mostraram eficazes em países como a Austrália, que em fevereiro e abril, manteve as escolas abertas e apresentou pouco aumento no número de casos no período. A escola é um lugar seguro e, com as medidas de segurança necessárias, é possível retornar às atividades com o menor risco possível para alunos, professores e colaboradores.