Há mais de um ano as escolas fecharam as portas pela primeira vez em toda a América Latina e, desde então, muitas delas ainda permanecem quase totalmente no ensino remoto. A UNICEF realizou um levantamento que mostrou que 214 milhões de crianças perderam mais de três quartos da aprendizagem e, em 98 milhões de crianças de 14 países do mundo todo as escolas continuam praticamente fechadas.

Os efeitos do longo período fora das salas de aula trazem consequências arrasadoras não apenas para o aprendizado, mas também para o bem-estar dessas crianças. Crianças em vulnerabilidade são as mais impactadas e com maior risco de não retornar para as salas de aula, algumas forçadas ao trabalho infantil e até mesmo ao casamento infantil.

Atrelada à pesquisa a UNICEF apresentou a manifestação `Sala de Aula Pandêmica’, uma iniciativa que posicionou 168 carteiras vazias com mochilas escolares, cada cadeira representa um milhão de estudantes afetados. A iniciativa tem como objetivo reforçar a necessidade de manter as escolas funcionando ou, ao menos, incluí-la nos planos de reabertura imediata.

Escolas fechadas é sinônimo de custos econômico-sociais extremamente altos, para todos diferentes comunidades, mas ainda maior para as crianças. A UNESCO se posicionou sobre o fechamento das escolas e reforçou as consequências que ele pode causar, entre elas:

·   Má nutrição: muitas crianças dependem das refeições fornecidas na escola para ter uma alimentação mais completa e saudável;

·   Aprendizagem pausada: crianças e jovens tiveram seus ensinamentos interrompidos, sem a possibilidade de se desenvolver e crescer;

·   Lacunas nos cuidados às crianças: muitos pais, com escolas fechadas e sem ter com quem deixar os filhos, acabam os deixando sozinhos em casa para poderem continuar trabalhando. Essas medidas desesperadas aumentam o risco de acidentes doméstico, maiores chances de ingestão de álcool e drogas;

·   Maior exposição à violência: quanto mais tempo longe da escola, maior o risco de casamentos precoces, exploração sexual, violência doméstica, trabalho infantil, gravidez adolescente, recrutamento por milícias e pedofilia.

Além de tudo isso, o isolamento social imposto irá atingir no cerne do desenvolvimento, pois as escolas são centros de atividade e interação humana. O contato social e o convívio com os pares tornam a experiência de aprendizagem completa, diferente do que o ensino remoto proporciona. Retornar às aulas presenciais será preciso um esforço para avaliar a aprendizagem e definir estratégias de reforço, continuação curricular ou outras metodologias.