A Fundação Getúlio Vargas realizou uma pesquisa que analisou três possíveis cenários da perda de aprendizado no Brasil durante a pandemia – pessimista, intermediário e otimista.

De acordo com o levantamento, a educação brasileira pode ter regressado em até quatro anos, ainda que o ensino remoto tenha sido aplicado com um bom aproveitamento. Ao analisar o público mais afetado pelos meses de fechamento escolar, constata-se que estudantes negros e filhos de mães que não concluíram o ensino médio.


A partir dos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), foi realizada uma simulação da perda de aprendizado. Segundo a análise, a proficiência hoje apresentou um retrocesso, ficando igual à registrada quatro anos atrás, mas a pesquisa mostrou reduções que indicam que, além das escolas fechadas, os alunos não teriam conseguido aprender com os conteúdos disponibilizados pelo ensino remoto.

No cenário intermediário (avaliando as disciplinas de matemática e língua portuguesa) as duas matérias teriam três anos de retrocesso, já no pior dos cenários a perda seria de 72%. O cenário otimista registra aproximadamente 15% nas duas matérias.

O dobro da média mundial. Esse é o tempo em que as escolas brasileiras ficaram fechadas. Enquanto a maioria das escolas do mundo fecharam por apenas 22 semanas, passamos 40 semanas de portões fechados e em algumas cidades os cadeados ainda não foram abertos. Mais de 800 milhões de alunos foram prejudicados pelo fechamento, que durou em média 2/3 do ano letivo.

Escolas de 31 países ainda estão totalmente fechadas e 48 países mantêm o modelo híbrido/parcial. Em abril de 2020, no pior cenário mundial, 190 instituições permanecem fechadas. Esse período trouxe impactos psicossociais nos alunos, perda de aprendizagem, além do risco elevado de evasão, principalmente para os alunos em condição de vulnerabilidade social.

As informações foram extraídas do relatório da Unesco que traz dados sobre o impacto provocado pela Covid-19.


Efeitos da Covid-19 em crianças
Muitas pessoas estão se perguntando se as escolas precisam mesmo estar fechadas? Pesquisas mostram que crianças são menos propensas a contrair covid-19 e, quando se infectam, raramente evoluem para a forma grave.

Confira algumas afirmativas que mostram que o retorno é possível e seguro:

– No mundo todo a taxa de hospitalização infantil por Covid-19 é baixa;
– Nossos vizinhos catarinenses registraram 24.006 casos de Covid em crianças de 0 a 14 anos e 14 mortes desde março de 2020;
– Os dados anteriores representam menos de 5% do total de casos no estado todo;
– Pesquisadores e médicos apontam que estar fora da escola traz inúmeros problemas como deterioração da saúde, tanto mental quanto física, além de perda de aprendizado;
– Uma pesquisa realizada no Reino Unido estimou que um quarto da atual geração terá as qualificações e o desempenho reduzidos, consequentemente diminuindo a renda.