Quem trabalha em escola ou tem filhos em idade escolar entende a dificuldade que foi o ano de 2020. O longo período em que as escolas ficaram fechadas atrapalhou o desenvolvimento dos alunos, a saúde emocional de alunos e professores, a rotina familiar, a economia e diversos outros fatores, como a alimentação e segurança dos alunos mais vulneráveis.

No final de 2020 alguns Estados brasileiros conseguiram aprovar um decreto governamental que passa a tratar a educação como um serviço essencial. Esse é um grande marco para a educação, pois permite avançar na forma como se pensa a educação no país.

A pandemia de covid-19 deixou evidente que a sociedade, salvo exceções, não se importa com a educação e não mede as consequências a médio e longo prazo. Enquanto autoridades debatiam sobre o retorno ou não das atividades presenciais nas escolas, vimos um país em que alunos permaneciam em casa, muitos sem acesso à educação remota, enquanto outros frequentavam bares e restaurantes, faziam festas para centenas de pessoas, sem nenhum tipo de controle sanitário para evitar a propagação do vírus.

Vimos as mesmas pessoas que defendiam que as escolas deveriam permanecer fechadas para a segurança dos alunos e funcionários frequentando shoppings ou lamentando quando o comércio foi fechado. O que se observou em 2020 foi um contrassenso sem precedentes, fala-se muito do risco e sequelas da covid-19, mas pouco se comenta sobre as crises de ansiedade e pânico em crianças e adolescentes, sobre a depressão e como a ruptura do ensino presencial pode afetar o psicológico dos alunos. O ensino não paralisou, ele regrediu.

Estudos já comprovaram que as escolas não são os locais com maior índice de contágio e, inclusive, segundo pesquisa realizada na Islândia com mais de 40 mil pessoas comprovou que as crianças são responsáveis por 50% menos da transmissão de covid-19 do que se imaginava. Claro que toda e qualquer decisão deve ser discutida e definida pelos pais ou família responsável pela criança.

Esse estudo ajuda os governos a entender melhor a disseminação do vírus e ser um suporte na decisão de reabrir escolas, assim como auxiliar pais que estão em dúvida se mandam ou não seus filhos para a escola.

Os protocolos de segurança, como uso de máscaras, higienização das mãos e superfícies com álcool gel e distanciamento social, quando cumpridos adequadamente, são eficazes para diminuir o contágio.

Pouco a pouco as escolas estão voltando e trabalhando para a recuperação do tempo em que as escolas ficaram fechadas. No entanto, para que o trabalho seja de fato efetivo é preciso que governo, escolas e famílias trabalhem juntos.