Como a pandemia afetou a educação e desenvolvimento desses estudantes

O enredo dessa história você já decorou: a pandemia de covid-19 se agravou consideravelmente em março de 2020 e depois disso nada mais foi igual. Escolas fechadas, professores testando mil formas de garantir o acesso à Educação para todos os alunos, que tentam manter o ritmo escolar em casa junto aos pais. No entanto, a conexão ruim com a internet, falta de estrutura física e, muitas vezes, familiar dificultam ainda mais esse cenário de dúvidas e incertezas.

Em meio a tudo isso, professores que trabalham com alunos com algum tipo de deficiência enfrentaram desafios ainda maiores. “Um mesmo conteúdo é apresentado de diversas formas (textos, ilustrações, obras de arte, registros fotográficos, documentários, citações literárias, dados numéricos, contextualizações espaciais, músicas populares, etc.) possibilitando a compreensão de um mesmo assunto por meio de diferentes meios de informação.  A atividade desenvolvida tem questões abertas de modo que possibilite diversas respostas: das mais básicas às mais complexas; que demonstrem o nível cognitivo do aluno e os esquemas de pensamento por ele utilizados”, descreve Maria Kyoko Arai Watanabe, Diretora Pedagógica da Escola IEIJ – Instituto de Educação Infantil e Juvenil.

Assim como muitas escolas, o IEIJ utilizou ferramentas tecnológicas para que os conteúdos cheguem até os alunos e, por ser uma escola com apenas 150 alunos, foi possível flexibilizar a entrega de materiais de acordo com as possibilidades e necessidades das famílias. Maria conta que os professores disponibilizaram atividades essenciais e eletivas, em que a realização ficava a critério da família.

“Para os alunos que necessitaram de equipamentos, a Escola disponibilizou em forma de empréstimo ou utilização na Escola, em sala individual e higienicamente preparada para receber somente aquele aluno. Para atender as famílias que tiveram grande redução da receita e que procuraram a Escola, os casos foram estudados pela diretoria de pais e, mediante avaliação socioeconômica, foram concedidos descontos nas mensalidades”, relata Maria. Todos esses esforços foram realizados para que os alunos, principalmente aqueles com deficiência, não fossem ainda mais prejudicados com a situação pandêmica do país.

Dicas e sobre como lidar com a inclusão na Educação durante a pandemia

Com tudo o que está acontecendo fica difícil estabelecer um limite de até que ponto os professores devem ir para cobrar atividades e lições. Por isso, vamos dar algumas dicas práticas de como agir, em tempos de pandemia, com alunos e pais de alunos com deficiência.

·   Se os pais e responsáveis não dão devolutivas referentes às atividades, o professor deve insistir? Lembre-se que, em um cenário normal, nem todos os pais conseguem acompanhar de pertinho a vida escolar dos filhos. A falta de tempo, espaço, lacuna tecnológica e tantos outros fatores tornam difícil esse acompanhamento. Além disso, em casa os pais não têm os recursos, experiência profissional e a formação dos educadores, por isso, ao invés de insistir, é importante mostrar-se disposto a ajudar e criar vínculos com essas famílias.

·   Como planejar as atividades remotas para os estudantes com deficiência? Primeiramente é preciso sempre entender que cada aluno é diferente do outro. Feito isso, considere as necessidades e as potencialidades de cada um. Tenha um plano de trabalho individual, ainda que curto, que possa ser revisado com frequência.  Converse com os pais e responsáveis para entender as necessidades do aluno, às vezes ele precisará da presença de um adulto, materiais específicos, ou mesmo de uma preparação anterior.

·   Se a aula for digital e a turma tiver alunos com deficiências, garanta o mesmo material com áudio descrição, janela de libras ou textos legíveis por softwares para alunos com deficiência visual e outros recursos que sejam necessários.