A pandemia de covid-19 trouxe uma série de consequências para todo o planeta, entre crises econômicas, educacionais, problemas de saúde e muitos outros. O fechamento das escolas por tantos meses transformou a rotina e a vida de muitos alunos, que precisaram se afastar de familiares, amigos e qualquer outra rede de apoio presencial.

Nos Estados Unidos, pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças trouxeram dados alarmantes. No condado de Clark, em Nevada, as emergências de saúde mental em alunos geraram mais de 3.100 alertas entre junho e outubro. Os alertas incluíam pensamentos suicidas, automutilação e pedidos de ajuda.

Em Las Vegas, a onda de suicídios entre jovens alunos levou a reabertura de algumas séries do ensino fundamental. Dos 320 mil alunos atendidos, Las Vegas registrou 18 suicídios nos nove meses em que as escolas ficaram fechadas. Já o britânico The Guardian, realizou uma pesquisa com jovens de 15 a 21 anos e 25% dos entrevistados afirmaram serem incapazes de lidar com a própria vida.

No Brasil, com as escolas fechadas há quase um ano, as redes de apoio à família praticamente desapareceram, o que agravou a instabilidade emocional, tanto de crianças quanto dos pais, aumentando também os casos de violência contra a criança. O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro registrou um aumento de 50% das ocorrências de violência contra a criança.

Se analisarmos os números da doença, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, as crianças representam apenas 2,4% dos casos do mundo todo. Além disso, estudos internacionais mostraram que o risco de contaminação nas escolas é extremamente baixo quando os protocolos de segurança são adotados e aplicados corretamente.

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Com o fechamento das escolas, as crianças pararam de conviver com outros da mesma idade, principalmente para quem é filho único que acaba convivendo apenas com adultos. Uma pesquisa realizada no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que agressividade, alterações no sono, irritabilidade, desânimo, acessos de raiva, ansiedade e depressão são sintomas do confinamento, da mudança de rotina e também associados à saúde mental dos pais.

Outra pesquisa da USP analisou 4.504 respostas de crianças e adolescentes. Os dados indicaram que metade do público da pesquisa tem passado mais de oito horas por dia usando eletrônicos, sem contar o tempo de aula. Além disso, 43% está mais sedentária e têm dormido menos.