A pandemia causada pelo covid-19 atingiu um expressivo número de escolas ao redor do mundo, entre mudanças de funcionamento e fechamentos temporários. Só no Brasil, cerca de 81,9% dos alunos da Educação Básica pararam de frequentar a escola, representando 39 milhões de estudantes. A pandemia evidenciou ainda mais as diferenças e desigualdades enfrentadas pelos jovens brasileiros, deixando os alunos sem conseguir sequer acessar os conteúdos.

Muitas escolas retornaram ao ensino presencial ou híbrido, ainda assim é preciso trabalhar com a excepcionalidade de mais um ano letivo realizado parcialmente à distância, estudantes com dificuldade de acesso, falta de apoio e até mesmo materiais para a realização das atividades propostas.

De acordo com dados do DataFavela, 55% dos alunos que residem nas favelas brasileiras não conseguiram dar continuidade aos estudos em 2020 por uma série de fatores, entre eles falta de um espaço adequado para os estudos, conexão ruim com a internet, indisponibilidade de dispositivos adequados para estudar e distância dos professores. Além da falta de recursos, a desesperança vai aumentando cada vez mais, 47% desses estudantes têm medo de desistir e de não conseguir acompanhar as aulas remotas. 71% dos pais não se sentem seguros em mandar os filhos para a escola.

A Central Única das Favelas (CUFA) realizou a campanha “Alô Social”, realizou a distribuição de 500 mil chips de celular em 5 mil favelas brasileiras. A campanha buscou democratizar o acesso à comunicação com o objetivo de atingir 4 milhões de pessoas até junho deste ano, especialmente mães que precisam aprender, empreender e conectar os filhos para as aulas remotas.

Além das dificuldades de acesso à internet e falta de celulares e computadores para acompanhar as aulas remotas, outro desafio é a perda do vínculo, tanto entre alunos e professores quanto na escola. A falta de interação e familiaridade entre essas partes aumenta a probabilidade de evasão escolar, diminui o interesse pelas matérias e prejudica o futuro desses alunos. A consequência da falta de aulas e dificuldade no aprendizado nesse período, somado à evasão escolar, podem afetar significativamente a economia do país, pois a falta de profissionais qualificados pode aumentar a procura por trabalhos manuais, cujo valor pago costuma ser menor. Isso diminui a renda per capita familiar, o poder de compra, acesso à educação e uma série de efeitos negativos.

É importante que todos os alunos tenham a possibilidade de retornar ao ensino presencial, focar exclusivamente nos estudos para garantir um desenvolvimento saudável e próspero.