As crianças, mesmo que tenham grande facilidade de adaptação, estão lidando com muitas mudanças simultâneas, como a falta de convivência com os amigos de escola. Tudo isso tem grande influência no comportamento e na saúde emocional das crianças.  

Desde o início da pandemia, muita coisa foi alterada na rotina da população e o isolamento tornou a vida de pais e filhos mais agitada que o normal. Trabalho remoto, atividades escolares em casa e tarefas domésticas ocupam grande parte do dia.

É comum notar alterações significativas como inquietação, tédio pela falta de atividades, irritação e, muitas vezes, passam a demonstrar medos que antes não existiam. Tudo isso é resultado do longo período dentro de casa e da falta de convivência com familiares e amigos.

Mas como você pode ajudar as crianças a passar por esse período sem perder o foco na saúde mental? A participação dos adultos é fundamental para ajudar as crianças.

Esteja presente
Sabemos que grande parte das famílias estão compartilhando o mesmo espaço e estão “juntos” na maior parte do tempo. No entanto, quando for ficar com as crianças, esteja verdadeiramente presente, nem que seja apenas para uma brincadeira ou para uma leitura. Reserve um momento para eles sem distrações.

Acolha as frustrações
Crianças de todas as idades demonstram frustração de diferentes formas. Aproveite esses momentos para estimular a fantasia. Se a criança gostaria de ir à praia, você pode estimular a imaginação dizendo algo como: “ah, naquela praia que tem areia bem fininha que gruda no meio dos dedinhos do seu pé, com o barulhinho das ondas e das gaivotas… Eu também gostaria muito de ir à praia”. No entanto, é preciso perceber em que situações essa dinâmica pode ser aplicada. Muitas vezes o necessário é demonstrar afeto, acolhimento e ouvir o que a criança tem a dizer.

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Não faça nada
Criar pausas sem atividades são importantes para o desenvolvimento e autoconhecimento da criança. Assim aprenderão a lidar com o tédio e desenvolvem um potencial criativo.

Não use o celular como um escape
Sabemos que tanto tempo em casa esgota a criatividade até mesmo dos mais experientes pedagogos, mas não use o celular como um recurso para deixar os pequenos quietos. Muitas vezes é o escape que você terá para trabalhar ou realizar outra atividade, mas use com cautela. Estabeleça horários para o uso e defina um limite de tempo. Evite expor a criança às telas em horas que antecedem o sono.

Seja humano!
As crianças absorvem nossas emoções e atitudes como exemplo, por isso, mostre que você também sente falta das pessoas, que fica triste e preocupado assim como a criança. Fale que entende as oscilações de humor, e que enfrentarão essa fase juntos.