Enquanto muitos profissionais se adaptaram e gostaram da adesão ao home office, a rotina de trabalho remoto pode estar prejudicando outros tantos. Esse é o caso de educadores que driblam a pandemia para tentar manter o rendimento do ensino dos seus alunos. No entanto, trabalhar em casa não significa trabalhar menos.


O excesso de trabalho, ansiedade, insônia e estresse são relatos comuns entre educadores brasileiros. Alguns comentam que com a pandemia, acabaram absorvendo responsabilidades e culpas que não deveriam caber a eles. A Organização Nova Escola realizou uma pesquisa com 8,1 mil professores e 28% afirmaram que, em comparação com o período anterior a pandemia, a saúde mental pode ser considerada péssima atualmente. Pode parecer pouco, mas apenas 8% afirmaram que estão ótimos e 30% consideram o nível de estresse razoável.


Essa pesquisa reflete um pouco do que é discutido entre grupos de professores e escolas, em que as frustrações de não conseguir lecionar, ou saber que o conteúdo disponibilizado não chega até a maioria dos alunos afeta grande parte do grupo docente. A proposta de ensino durante a pandemia não é cumprir o conteúdo normal do ano, mas manter uma rotina de atividades e não deixar que a situação fique ainda mais crítica.


Por isso, os conteúdos enviados costumam ser mais simples que o normal. Ainda assim, muitos alunos não conseguem nem acessar as atividades, seja por falta de um aparelho, conexão ruim com a internet ou mesmo falta de alguém que possa dar assistência durante as aulas on-line. Outro ponto é a falta de retorno dos alunos e dos pais, que acaba aumentando a ansiedade dos professores e surge a pergunta “se meus alunos não conseguem acessar o conteúdo ensinado, para que continuar lecionando durante a pandemia?”.


A frustração decorrente das expectativas não correspondidas pode servir como um gatilho. Para os profissionais que já sofriam com problemas de ansiedade e depressão, trabalhar com os alunos durante a pandemia trazer à tona sintomas bem conhecidos, como insônia, tristeza, dificuldade para respirar, falta de ar e muitos outros.

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E as dificuldades não param no acesso à internet. Em algumas escolas, professor e aluno sequer têm contato direto. O docente grava vídeos e áudios e os pais se encarregam de repassar e ensinar o conteúdo. Professores estão acumulando tarefas, preocupações e tudo fica no mesmo espaço em que deveria ser de lazer e relaxamento, o lar. Mesmo trabalhando a distância, muitos profissionais estão sendo diagnosticados com depressão, ansiedade e Síndrome de Burnout.


Sinais de alerta para saúde mental
· Crises de choro
· Estresse
· Felicidade e irritação excessivos
· Sentimento de perda e vazio
· Dores de cabeça
· Sono

Se você é professor, procure diminuir suas expectativas para esse ano letivo, estabeleça uma rotina, converse com alguém sobre seus sentimentos. Apesar de parecer difícil, evite o excesso de notícias, se desligue por algumas horas e tenha momentos de relaxamento.